Cerejeiras
Silmara Ferreira, Brasil, Virginiana.
Coloco-me no papel em forma de palavras.


Seja bem-vindo(a) e espero que goste de ficar embaixo de minha pequena árvore.

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Alguém aqui já leu O Diário de Anne Frank?

O que acharam?

1 week ago with 4 notes

A beleza que vejo nela ganha de qualquer flor ao abrir, de qualquer emoção, de qualquer história ou inocência. Eu vejo o brilho de um sorriso imortal, o olhar que cai como pequenas plumas, que ilumina tudo o que pode existir. A beleza que vejo nela é a bondade, é a alma que sonha e que não se fecha para a tristeza que o mundo a oferece com suas mãos sujas e cruéis. Ela recusa com a face erguida, olhando sempre a frente. Ela sonha e como sonha! Quem dera se eu sonhasse assim, como se… como se não existisse ninguém mais no mundo. — Cerejeiras

1 week ago

3 weeks ago with 47 notes

3 weeks ago with 35993 notes

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Quase sem querer - Legião Urbana

4 weeks ago with 58 notes

O que é a liberdade para você?

4 weeks ago with 1 note

Queima chama flamejante, mortal e errante de arrogância e veneno ao cair nos que merecem ou não. Por trás desse sol tão cruel, reina a lua fechada, perdedora na guerra de emoções incertas. Lua boa essa que desistiu de mostrar-se ao ficar refém do medo, e que hoje só comanda os sonhos de um sol que perdeu sua parte mais doce: ela. Esses cometas tão cegos, causadores dessas consequências, hoje detestam aquele fogo que só existe como forma de auto-proteção.
Pobre lua, pobre sol. — Por trás do sol Cerejeiras ❁

1 month ago

Atravessando o riacho, o cão
com um pedaço de carne
viu uma alucinação
e abriu a boca em alarme.

Na água a carne caiu
o animal correu até o desejo
e percebeu que era vil¹
a dedução que fez a esmo².

No fim ficou sem nada:
com fome e sem beleza
concluiu tristemente:
“Que mal é a avareza.³”


1. […] baixo, reles, ordinário. Desprezível, torpe.
2. […] avaliação por cima.
3. desejo ilimitado de acumular riqueza.

Cerejeiras - Inspirado na fábula O cão e o pedaço de carne

1 month ago

O rouge virou blush. O pó-de-arroz virou pó-compacto. O brilho virou gloss. O rímel virou máscara incolor. A Lycra virou stretch. Anabela virou plataforma. O corpete virou porta-seios. Que virou sutiã. Que virou silicone. A peruca virou aplique… interlace… megahair… alongamento. A escova virou chapinha. ‘Problemas de moça’ viraram TPM. Confete virou MMs. A crise de nervos virou estresse. A purpurina virou gliter. A tanga virou fio dental. E o fio dental virou anti-séptico bucal. Ninguém mais vê: O à-la-carte porque virou self-service. A tristeza agora é depressão. O espaguete virou miojo pronto. A paquera virou pegação. A gafieira virou dança de salão. O que era praça virou shopping. A areia virou ringue. O LP virou CD. A fita de vídeo é DVD. O CD já é MP3. É um filho onde eram seis. O álbum de fotos agora é mostrado por e-mail. O namoro agora é virtual. A cantada virou torpedo. E do ‘não’ não se tem medo. O break virou street. O samba, pagode. O carnaval de rua virou Sapucaí. O folclore brasileiro, halloween. O piano agora é teclado, também. O forró de sanfona ficou eletrônico. Fortificante não é mais Biotônico. Polícia e ladrão virou Counter Strike. Fauna e flora a desaparecer. Lobato virou Paulo Coelho. Caetano virou um pentelho. Elis ressuscitou em Maria Rita. Raul e Renato. Cássia e Cazuza. Lennon e Elvis. A AIDS virou gripe. A bala antes encontrada agora é perdida. A violência está maldita. A maconha é calmante. O professor é agora o facilitador. As lições já não importam mais. A guerra superou a paz. E a sociedade ficou incapaz. De tudo. Inclusive de notar essas diferenças. — Luís Fernando Verissímo (via feitoseu)

1 month ago with 17319 notes

1 month ago with 3645 notes

Olá, pessoal! Como vocês estão?

Acabei de voltar da casa de minha amiga, que é vizinha de um canadense que não fala nada de português. Conversei (um pouco) com ele. Nossa, que emoção!

1 month ago

O restaurante estava quase vazio por ser dia de quarta-feira, não passava de sete da noite, mas estava perto disso. Ludovico e Guilherme estavam sentados numa mesa isolada no canto do estabelecimento. Discutiam assuntos indiscutíveis, adoravam isso.
- Caro amigo Ludovico – riu Guilherme enquanto bebia seu café sem açúcar – não seja tão descrente. Abra um pouco sua mente, sim? O destino… o destino não é para ser compreendido, mas ele está lá, guiando toda alma viva deste mundo grandioso.
- Temo que se sinta ofendido, meu amigo, mas isso é uma coisa que não acredito. Ah, a capacidade humana! Tão inúteis, e me sinto pequeno por fazer parte desta medíocre espécie. Não falarei da violência e de tantas outras situações que nos fazem pensar no ponto que chegamos, mas entregar nosso futuro nas mãos de… do quê? Destino? O que espera que ele faça? Acredita mesmo que se posso me tornar um grande músico, por exemplo, o destino me fará ser isso, mesmo que eu não tenha lutado, me esforçado? Desculpe-me, mas isso é uma tolice.
- Não disse isso – Guilherme realmente sentiu-se ofendido -, acredito, pois acho que nada é por acaso. Se uma moeda de cinco centavos cai à frente de uma pessoa ignorante, ela poderá usá-la para algo supérfluo. Se essa mesma moeda, depois de ter passado por esta pessoa, ir parar nas mãos de um coração bondoso, poderá, quem sabe, ir cair na frente de um necessitado, que estaria precisando exatamente de cinco centavos para completar a quantia de comprar o pão para os filhos.
- No que a sua concepção de destino entraria nessa situação?
- Se não fosse pela pessoa mesquinha, a moeda nunca teria chegado à outra, que por sua vez nunca teria sido doado ao mendigo.
- Isso não é destino.
- Nada é por acaso, Ludovico. Isso é o destino.
Levantaram-se, pagando a conta e seguiram rumo à porta.
- Entendo seu ponto de vista, mesmo não concordando.
Ludovico tropeçou numa peça pequena, mais ou menos de quatro centímetros, não sendo totalmente quadrada, como se tivesse sido quebrada. Indo de encontro ao chão, Ludovico soltou maldições.
Rindo, Guilherme ajudou o amigo a se levantar e pegou a peça.
- Ah, veja só, o que temos aqui?
- Não sei – resmungou, limpando a roupa e ignorando os risos dos que passavam – que azar!
- É o destino! – riu Guilherme, colocando a peça dentro do bolso interno do casaco do rapaz.
- Tire isso daqui – retirou, percebendo que era pesada e parecia resistente - não a quero, porque iria querer?
- Ora, quem sabe? Guarde, talvez seja útil. Deve ter caído de algum carro, ou foi arrancado.
Ludovico, de expressão fechada, colocou dentro do bolso da blusa, que ficava no peito.
- Vou indo por aqui, nos encontramos depois.
- Até amanhã.
Foram andando, calmos, cada um por seu caminho. Qual não foi a surpresa de Ludovico, ao ver que estava sendo prensado bruscamente contra a parede, alguma coisa fria apertada contra a costela.
- Devagar – uma voz se fez presente – passe tudo, tudinho.
Tremendo, tirou a carteira do bolso da calça, o casaco de marca e o relógio.
- Ótimo, ótimo. Agora, ande, e não olhe para trás.
Fez isso. Ao dar alguns passos cometeu um erro e virou-se para ver se já tinham ido, depois sentiu um aperto do peito.

Guilherme corria até a sala do hospital, e respirou aliviado ao ver o amigo assobiando na cama com lençóis azuis.
- É, esse troço de destino pode até existir.
- O que?
- Aquela peça lá. Amorteceu o tiro. Por pouco não estou morto. É claro que necessitei de uns pontos, mas não chegou tão fundo.
Guilherme riu nervoso e novamente, aliviado.
- Eu disse. Cadê?
- Destruída.
- Foi o destino, meu amigo, foi o destino.
Ludovico riu.
- Considero-me um pouco mais religioso. Hmm, foi sorte. — Destino? Cerejeiras

1 month ago

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